Tributo a Michael Jackson

qui, 25 de jun de 2009

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Em primeiro lugar, este é um blog sobre música cristã.

Era apenas uma noite de domingo de 1991 quando, após voltar do culto, aos cinco anos de idade, vi um homem branco, de cabelos longos e negros, utilizando colete e camisa regata brancos, calça preta e sapatos de mesma cor na televisão. Da mistura de guitarra distorcida, bateria eletrônica e dança frenética, guardei apenas o grito recorrente e uma bela melodia. Era Black or White.
Vieram os especiais de fim de ano e, enquanto a maior parte se divertia com os brinquedos distribuídos no Amigo-X da família, gastava tempo em frente à televisão observando os passos daquele desconhecido. Algo de mágico havia na dança de Michael Jackson, que com uma alegria ímpar desafiava a gravidade com seu moonwalking. Gastei toda a sola de meus tênis em frente ao espelho de casa. Sem sucesso.

Poucos anos depois, reconheci a voz do amigo de Macaulay Culkin – este era minha referência na época – na trilha sonora de Free Willy. Will You Be There ressoou por anos dentro de minha cabeça. Foi fácil reconhecer o mesmo arranjo de piano feito por Emerson Pinheiro (este, por sinal, só parece criativo enquanto você não conhece suas fontes) em Jesus É O Rei, da Fernanda Brum.

Foram precisos mais alguns anos até que eu me interessasse realmente por música de qualidade. E não tardei em descobrir Off The Wall, de 1979, disco de estreia do Michael Jackson. Estava selado meu respeito eterno ao músico, cantor, compositor, ator, publicitário, escritor, produtor, diretor, coreógrafo, dançarino e empresário. O título de Rei do Pop, hoje compreendo, não é obra de marketing, mas fruto de um trabalho merecido.

Se os Beatles foram responsáveis por revolucionar o conceito de rock existente na década de 60, Michael Jackson criou o que hoje delimitamos como pop. Não há como pensar em indústria musical sem fazer referência a Thriller, o pai dos clipes bem coreografados, à identidade visual, às roupas e tudo mais que agrega valor à marca ‘Michael Jackson’.

Mais que isso, é impossível ouvir sobre sua morte e não se emocionar. Como bem disse Willian Wack no Jornal da Globo: “a vida de Michael Jackson é um retrato da nossa sociedade”. Assim como os homens do século XXI, MJ não parte desta para uma melhor. Mesmo sendo gênio, não aprendeu que a beleza da vida está na simplicidade das pequenas coisas: com sua excentricidade, destruiu o sorriso de menino negro dos tempos de Jackson Five.

Sim, este continua sendo um blog sobre música cristã. Mas não há como pensar música sem citar Michael Jackson.

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Por trás dos microfones: Leonardo Gonçalves

seg, 22 de jun de 2009

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Leonardo Gonçalves, maior exponente da música cristã contemporânea no Brasil, cumpriu uma promessa antiga e está detalhando a história de cada uma das canções presentes em seu mais recente trabalho, o genial Viver e Cantar.

Para quem assistiu três vezes (eu) ao documentário presente no DVD homônimo, vale a pena conhecer detalhes ainda não contados, como a fascinação de Léo pelo trabalho de João Castilho. O cantor convidou o músico para Moriá após pensar em uma frase de guitarra característica dos trabalhos de Castilho (ouça a canção aqui).

Se interessou? Acompanhe o blog do Léo!

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Newworldson e a raíz da música negra

seg, 22 de jun de 2009

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Newworldson/Divulgação Site Oficial
Em três meses de blog, não sei como ainda não tinha escrito sobre o Newworldson. Este quarteto canadense – que mais parece ter nascido e crescido na lama do Mississipi – une com perfeição a música folclórica americana. Soul, blues, gospel, tudo junto em composições surpreendentes.

Guiados pelo vocalista Joel Parisien, que também comanda pianos, hammonds e clavinetes com wah-wah, o Newworldson vai do James Brown ao Beach Boys. Em ritmo quase sempre sempre dançante, os quatro criativos meninos do Canadá extraem com maestria o melhor de seus instrumentos – baixo acústico, guitarra e bateria.

A ausência de elementos eletrônicos pode parecer limitadora para a maior parte dos músicos, mas não para o Newworldson. Em Salvation Station, segundo disco do grupo, os espaços são preenchidos com ótimas divisões rítmicas e arranjos sensivelmente elaborados. Quando falta algo, o o vocalista arrisca um beatbox.

As letras são de uma sinceridade incomum a artistas que não se vendem sob o rótulo de worship music. Working Man (Homem Trabalhador, em tradução livre), abre o disco deixando claro o objetivo principal do grupo. “Eu sou um homem trabalhador e deixo as coisas bem feitas / Trabalho para o Espírito Santo e trabalho para o Filho / Eu sou um homem trabalhador / Sou o agente especial do Cordeiro”, entoa Joel Parisien.

Ouvir Salvation Station é passear pelo Sul dos Estados Unidos. Chega a ser difícil acreditar que quatro branquelos canadenses poderiam retratar tão bem a cultura deste representativo pedaço de chão. Mas confesso: não me lembro de ter ouvido um álbum tão renovado e, ao mesmo tempo, tão fiel às raízes da música negra americana.

Ouvir Salvation Station, antes de tudo, é aprender.

Isto sim é um bom groove
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Questione, duvide, discorde!

sáb, 13 de jun de 2009

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Abri novamente a seção de comentários. Todos podem escrever, entretanto, nem tudo será publicado. O objetivo é evitar que fãs do Régis Danese me acusem de satanismo – apesar de defendê-lo em todo o meu texto (coisa de gente que não lê antes de comentar).

Enfim, sejam sóbrios e polêmicos. A dialética agradece.

:)

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Afinal, ritmos africanos são Louvor?

sáb, 13 de jun de 2009

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Recebi do amigo Marcel Mozart – leitor mais dedicado que este blog possui – o polêmico artigo “Como surgiu a Música Cristã Contemporânea” (aprecie com moderação), no qual o autor adventista Louis R. Torres discorre sobre os motivos que o levaram a classificar o rock e outros ritmos percussivos como a ‘música de satanás’. Li com calma e enviei a resposta abaixo:

Em primeiro lugar, a Bíblia relata louvores a Deus com uso de instrumentos percussivos: Miriã louvou com danças após a travessia do Mar Vermelho; Davi dançou quando a Arca foi reconduzida à Israel. E só para citar um músico-adorador: Asafe, escritor de diversos salmos, se fazia conhecido por seus ‘címbalos retumbantes’.

Ou seja: o ritmo, essencialmente, é algo cristão. Foi criado por Deus e executado à exaustão nas celebrações do Antigo Testamento. Naturalmente, ao longo dos anos, a música foi sofrendo intervenções. Para se ter uma ideia, o uso de sustenidos é uma profanação. A escala musical não possuía semitons, que foram importados da cultura egípcia e indiana.

Até mesmo os Adventistas – que se gabam de seu preciosismo musical – ‘pecam’ por absorver influências, veja só, humanas e, por que não dizer, ‘mundanas’, como preferem classificar. Se formos levar ao pé da letra o conceito do artigo, que prega a não-compactuação com a música contemporânea, teríamos de realizar um estudo profundo, em busca das canções executadas no período pós-Éden.

Deus deu aos homens a criatividade. Após a morte de Cristo, o Espírito Santo. Unidos, estes podem muito. Não devemos observar a música apenas sob a ótica técnica. Se fosse assim, deveríamos apenas executar mantras, trazendo ‘paz’ ao ambiente, repetindo um comportamento que nós, cristãos, condenamos.
tambores africanos

A cultura se sobrepõe ao poder de Deus?

A música evoluiu. O homem mudou. A essência da adoração permanece a mesma. Deus procura corações sinceros, que o adorem em Espírito e em Verdade. Verdade é cantar, tocar ou dançar com pureza de coração. Se o fazemos em ritmo acelerado ou lento, não vem ao caso. O importante é fazê-lo.

Se um africano se converte a Deus, devemos ensiná-lo a adorar utilizando um violino, se este aprendeu a tocar tambores em seu país? A cultura se sobrepõe ao mover divino? Por que motivos tentamos sempre limitar o agir de Deus a conceitos que possamos compreender, definindo isto ou aquilo como santo e profano?

Por que classificar este estilo ou aquele como ‘de Satanás’? Ele nada criou. Tudo o que possui foi um dia criado para o louvor a Deus e, posteriormente, profanado. Nós estamos entregando de mão beijada potentes instrumentos de conversão. Em rock, valsa ou ópera, no Espírito, a música sempre será um criativo, mutante e tocante meio de disseminação da Palavra de Deus e sensibilização de almas.

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