Esqueça a maturidade das composições, a ótima produção – há muito não ouvia guitarras tão bem construídas em um disco nacional -, e o timbre, digamos, incomum de voz de Lucas. Cidade do Amor vale ser ouvido pelo simples fato de tentar ser diferente, desejo este que o coloca muito acima das outras produções do mercado cristão nacional.
A inquietação presente em cada uma das 12 faixas do álbum torna prazerosa a experiência de ouvi-lo. Afinal, é sempre bom ver um artista mesclar influências e se arriscar com criatividade. E Lucas Souza o faz ao extrair a diversidade de estilos de uma metrópole e anexá-la à mensagem do amor Divino. Uma grande ideia, que de tão diversa, soa desconexa.
Talvez a grande falha de Cidade do Amor seja tentar abraçar o mundo com as pernas. A explosão recente do folk no Brasil – representados por Vanguart e Mallu Magalhães – e a vulgarização dos recursos eletrônicos obrigaram Lucas a passear por caminhos até então desconhecidos. É exatamente neste subúrbio que a Cidade se torna mais obscura. E criativa.
O Mundo Viu a Sua Luz mostra um Lucas muito versátil, misturando baterias eletrônicas, sintetizadores, rock anos 60 e 80. A faixa é ótima, mas não combina com o restante do disco. Só para ter uma ideia, a faixa seguinte é Eu Só Penso em Você, folk rock com direito a gaita (?!). Já lavei as minhas mãos, troquei mágoas por perdão, vivo outra vez. Letra impecável.
Quebra e Refaz é uma ilha bem no meio da Cidade, porém, é a melhor faixa do álbum. Guitarras bem executadas, voz grave, ritmo de blues, teclados simples, tudo muito bem construído. Um solo arrebatador de guitarra faz falta, mas isto é perdoável (até porque em Incomparável Tanto Amor, outra grande canção do disco, o solo final sai quase desastroso).
Apesar das críticas, Cidade do Amor, repito, merece ser ouvido. O álbum é conforto garantido para os ouvidos mais críticos, que buscam incessantemente algo de diferente em meio ao cenário nacional. Lucas Souza ainda não é a salvação da música gospel, mas mostra estar no caminho certo, na direção oposta das fórmulas prontas do mercado.

abril 20th, 2009 às18:43
Boa resenha. E o Lucas, como disse no podcast, mesmo acha exagerada essa idéia de ser a salvação da música gospel.
Mas é um álbum que vale a pena ser apreciado, boas letras de louvor mas fugindo do óbvio e a feliz iniciativa de levar o projeto ao Abbey Road já são motivos suficientes pra conhecer o trabalho do Lucas Souza.
abril 20th, 2009 às19:03
Boa resenha, cara.
Pra ser sincero, “A cidade do amor” ficou aquém das minhas expectativas. Há ótimas faixas, como a que dá nome ao album e a própria “Quebra e Refaz”, que apesar de destoar da tentativa geral do álbum, é muito agradável.
No entanto, acho que o desejo de soar moderno fez com que Lucas, em alguns momentos, soasse modernoso. “O amor dobra os meus joelhos”, por exemplo, não convence.
Prefiro o “caminho de revolução”. ‘worship’ brazuca de ótima qualidade e mais compatível com o timbre de Lucas. Ainda assim considero o novo trabalho infinitamente melhor do que nos é apresentado, hoje, no mercado cristão. Em terra de cego…
Ps: conheceu o palavrantiga?
abril 22nd, 2009 às9:08
Everson e Luiz, valeu pelos comentários. Não conheço a fundo o Palavrantiga, só de ouvir falar. Vou buscá-los.