
É verdade que estou mais do que atrasado para publicar algo sobre o Japão, mas não poderia deixar de fazê-lo. Vou começar contando do início, literalmente.
Saí de Vitória no dia 08 de agosto, às 11:30 da manhã, num vôo para São Paulo que fez conexão em BH. E aí vai meu primeiro protesto – não sei se é por causa da demora na construção do novo aeroporto das Goiabeiras devido às denúncias de corrupção que envolvem a obra, para variar – ou apenas porque constataram de vez que Vitória é uma capital pouco interessante para o turismo por causa da falta de inteligência dos nossos políticos locais em fazer a coisa funcionar – o que sei é que tiraram daqui os vôos diretos para a terra da garoa, e digamos, ter que fazer conexão em BH e/ou Rio toda vez que for para SP é mais do que inconveniente. Um trecho que é para ser feito em uma hora e dez minutos passou a ser feito em 4, 5 horas, dependendo da conexão. E ah, detalhe, pelo mesmo preço!
Ok… Voltando ao assunto. Cheguei em SP às 17, e de lá segui para Toronto às 20. O vôo de SP para Toronto durou cerca de 10 horas, e foi bem tranqüilo. Cheguei em Toronto às 5 da manhã – uma hora a menos que no Brasil – e tive que esperar até as 3 da tarde para pegar o vôo para Tókio. Durante esse tempo passeei pelo aeroporto, comprei um novo desodorante – já que fui obrigado a jogar o meu fora, que tinha mais de 100ml e podia ser uma espécie evoluída de algum tipo de super-explosivo ou algo do tipo, realmente cômico, principalmente porque tive que jogá-lo fora em BH, num vôo de conexão da Gol que por acaso era internacional e estava vindo da Argentina. Sem detalhar a falta de critério quase completa, vamos pensar… Será que existe algum argentino realmente interessado em explodir o Brasil? Se o vôo tivesse sido no último domingo, após ganharmos deles por 3×1 e lá dentro, até entenderia a suspeita, mas não foi o caso. Depois então de dormir por algumas horas no chão de carpete do Pearson, embarquei para Tókio. Fiz amizade com um casal gringo de Montreal, que por sinal eram batistas, negros e só ouviam Black. Dessa forma, nos identificamos apenas pela fé, já que musicalmente falando eu não conhecia quase nada do que eles gostavam de ouvir e nem eles dos meus gostos musicais, mutuamente. Estávamos a milhares de metros de altura, voando sobre o Alaska, e quando o assunto esgotou resolvemos dormir de dia – literalmente – já que durante as 14 horas de vôo de Toronto até Tókio tudo foi um dia bem claro. Estranha a sensação de estar viajando o tempo todo no limite da linha do tempo, como que tentando puxar a noite pela gola da camisa, ela que está correndo o tempo todo à sua frente, mas você não consegue alcançá-la de forma alguma.
Cheguei em Tókio às 16 da tarde do dia 10, impressionado com tudo que via pela frente, com a estranheza dos kanjis, das cores, dos carros, de tudo, e peguei um vôo que saiu de lá as 18 e chegou em Nagoya às 19:00. Peguei minhas coisas e encontrei Mônica e Laércio – casal maravilhoso e amigo e também um dos responsáveis pela organização da conferência Tocando a Trombeta – e também o pequeno Daniel, filho deles, que já de cara me aconselhou, já que eu não tenho filhos, a arrumar um filho por lá mesmo. Risadas à parte, bem que eu queria trazer comigo um pequeno Japa, já que essas crianças japonesas são tão lindas!
Na viagem de carro do aeroporto até onde fui ficar íamos conversando sobre várias coisas, até que surgiu o assunto terremoto. Mônica e Laércio estavam me contando acerca das experiências deles com os tremores de terra durante todos os anos que eles moram no Japão, e eu comentei que gostaria de ter a oportunidade de sentir um tremor, que é óbvio que eu não gostaria que morresse alguém, mas que eu queria ver a terra tremer, sentir como é, enfim, viver essa experiência. E o mais engraçado e sinistro foi que na mesma noite, às 5 e pouco da manhã, houve um terremoto de 6 graus na região, o maior desde 1943, de forma que muitos que estavam no prédio onde dormíamos saíram para a rua, assustados e seguindo às normas de segurança – menos eu e o Elias. Estávamos dormindo como pedras, depois de mais de 40 horas de viagem, e nem um terremoto desses foi capaz de nos acordar. Hilário e triste ao mesmo tempo, porque eu queria MUITO ter sentido o tremor! O que fazer? Pensei em construir uma casa na árvore e pedir pra alguém balançar o tronco, ou entrar num desses carros quadradões que tinham lá e convidar uns japoneses pra sacudirem de um lado pro outro, algo do tipo, mas desisti da idéia.

Nesse primeiro dia fomos num Shokudô – acho que se escreve assim – que se chama refeitório em Japonês. Um restaurante bem simples e bem tradicional, com comida bem típica, daqueles que não tem nem garfo e faca, e tive que me virar pra comer. Depois de ter sobrevivido a essa primeira experiência alimentar antropológica, acho que as coisas se tornaram mais fáceis. Nesse primeiro dia o sono bateu forte às 5 da tarde, que na meu relógio brasileiro eram na verdade 5 da manhã, e tive que segurar pesado, completamente tonto, para jantar às 9 e cair na cama como uma pedra às 10 da noite. E vocês acham que dormi até que horas? Às 3 da madrugada já estava de pé, tomei um banho e sai para caminhar pelo bairro já clareando. Foi uma experiência interessante, e foi quando de fato começou a cair a ficha que eu estava do outro lado do mundo, literalmente.

A conferência começou no dia 12, e foi um tempo muito bom, durante todos os dias. Fui ao Japão a convite da UNPLA, que é a União de Pastores e Líderes amigos do Japão, e foi um honra pra mim poder servi-los nesta sexta edição da conferência Tocando a Trombeta. Foram também ministrar o Emerson Toschi, do ministério Arca, o Pr. Elias, do Cia dos Amigos de Deus, e os irmãos do ministério japonês Hallelujah Music, liderados pelo Pr. Teppei. Foi bom demais estar com eles, aproximar o relacionamento e viver um tempo repleto de boas sensações espirituais. Pude ministrar louvor em três cultos e compartilhar a palavra em dois deles, o que foi de fato muito bom. Sinto que a missão foi mais completa quando posso comunicar acerca do que tenho ouvido, percebido e discernido, e principalmente quando percebo que as pessoas captaram a minha mensagem. Bom demais! Obrigado Senhor por mais essa oportunidade. Obrigado UNPLA pela confiança. A conferência aconteceu no Life Port, um centro de convenções maravilhoso, com uma estrutura incrível, da prefeitura da cidade de Toyohashi.


Após a conferência fui ministrar em algumas igrejas em outras cidades, e pude estar em Minami Alps, que é a região das montanhas do Japão, um lugar lindíssimo, onde também estive ministrando. Tive a oportunidade de ir a Tokio, apesar de ter sido bem rápido, praticamente fui apenas na Tokio Tower, porque estavamos de passagem apenas, voltando para Minami Alps. Queria ter visto mais, mas ficou a vontade de querer voltar no futuro para ver tudo nos detalhes.



De lá segui de volta, e de trem bala, para Nagoya, onde passei um dia lindo com Emerson, Elias, Monica, Laércio, Daniel e Ricardo visitando a cidade. Andamos, andamos e andamos até que for fim voltamos para Toyokawa para a despedida de Emerson e Elias, que estavam seguindo para a Europa. Nessa noite eu dormi na casa do Pr. Lauro – que se tornou um amigo do peito – e no dia seguinte tive a oportunidade de ir a Hamamatsu, que é onde fica a principal base da aeronáutica japonesa, e pude visitar a base e o museu que eles tem por lá, com inúmeros aviões, jatos de guerra e helicópteros onde é possível entrar e tirar fotos a vontade. Foi demais!



Voltei para estar com Mônica e Laércio – o meu quinto e último lugar de hospedagem – e a base de onde eu passei a seguir todos os dias para ministrar em algumas congregações em cidade próximas. Estive no dia 20, quinta-feira, na Missão Apoio, na cidade lindíssima de Toyota, com o Pr. Cid, homem de Deus e gente muito boa, que tem feito um trabalho lindo por lá. Dia 21 foi a vez de ir a Anjo-Shi, na Comunidade da Graça, onde também tivemos um tempo pra lá de bom! Dia 22 fui ao SOS Missões, com o Pr. Júlio, que também faz parte do UNPLA, e ministrei algumas canções no culto de jovens. Foi bom rever boa parte dos irmãos que estavam na conferência. Dia 23 foi o última ministração no Japão, onde eu já estava só no caco, quebrado e cansado, e talvez só não tenhamos tido um tempo melhor com os irmãos do Ministério Ágape Vida por causa disso. Perdoem o meu cansaço! Entretanto, foi uma despedida muito bonita, e só tenho a agradecer a Pra. Nami, um amor de pessoa, um coração incrível que tanto me deu suporte, à Lauro Higa, companheiro, e é claro, aos amigos e já irmãos que precisam vir me visitar em Vitória: Mônica e Laércio, como também a toda essa igreja linda que me recebeu tão bem. Vocês arrebentam gente! E não fazem idéia do quanto! É impactante ver a perseverança de vocês. É maravilhoso saber que do outro lado do mundo tem gente focando o reino dessa forma, mesmo quando quase todo mundo vira as costas. Tenho aprendido que fazer história é exatamente assim. Árduo. E na maioria das vezes só se verá o resultado daqui algumas dezenas de anos. Contudo, o importante é amar como vocês amam.
Por fim, obrigado pela vida que me doaram durante todos esses dias, e espero ter feito o mesmo por vocês!
ARIGATÔ-GOZAIMAS!
No graça daquele que nos leva até onde existir do ar que respiramos, não importa onde,
Lucas Souza
09/09/2009
qui, 29 de out de 2009
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