“O neopentecostalismo absorve um conjunto de práticas dos terreiros, como as entidades, o uso de velas coloridas, as rosas vermelhas e brancas, aparatos como sabonete do descarrego ou óleo da purificação”, explicou o professor Vagner Gonçalves Silva, da Universidade de São Paulo (USP), ao repórter Paulo Hebmüller.
Ou seja, agregou o professor Departamento da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, “a IURD precisa e vive de quem ataca”. A Universal, analisou Vagner, é bastante inventiva e dinâmica ao trabalhar com os símbolos que estão presentes no imaginário, aplicando-os na igreja.
Na Sexta-Feira Santa a IURD oferece cultos rituais com flores, perfumes, sabonetes abençoados de descarrego, como fazem as religiões de matriz afro-brasileira, pois entendem que se trata de um dia de fechamento do corpo.
Na festa de São João, em julho, com fogueiras e danças, os afro-brasileiros realizam a fogueira de Xangô, e a IURD promove a Fogueira Santa de Israel, comparou Vaner.
Leia a entrevista completa ao professor Vagner Gonçalves, clicando aqui.
Isso tem um nome: sincretismo, que nada mais é que uma fusão de diferentes concepções religiosas. Esse sincretismo já aconteceu bastante no Brasil ainda na época da escravatura. Os escravos eram proibidos de praticar seus rituais (umbanda, candomblé) e obrigados a confessar o catolicismo. Para preservar sua cultura, os negros “camuflavam” as suas crenças, dando uma roupagem católica a seus orixás, gerando o catolicismo popular brasileiro que é uma mistura de santos e orixás e suas práticas.
É interessante lembrar que os próprios católicos utilizavam desse sincretismo na África (e em muitas outras regiões) para facilitar a conversão e o catecismo em massa.
Hoje, não vemos motivos históricos para a IURD se utilizar desse sincretismo. Não há mais perseguições aos umbandistas, não há mais “catecismos em massa” a povos que nunca ouviram falar de cristianismo. Agora as razões são mais modernas e menos honrosas; atiçar a imaginação do grande público. Sim. A partir do momento que você desperta essa queda pelo sobrenatural que o ser humano nutre, você consegue contar histórias mirabolantes e manipula opiniões sem precisar se justificar. Não há justificativas para o sobrenatural; você dá dinheiro para a igreja, acredita e pronto! O “milagre” acontece. E se não acontecer é porque não é o tempo certo ou você não ofertou dinheiro o bastante.
A IURD deixou de ser igreja cristã evangélica a muito tempo. Proclamar e gritar por aí que Jesus como salvador não basta. É necessário agir como Ele agiu; de maneira íntegra, honesta. Milhares de pessoas visitam a IURD diariamente, mas poucas têm suas vidas transformadas de verdade. A IURD virou uma mácula para o cristianismo brasileiro e será lembrada para sempre por seus ritos, suas aberrações, seu apelo exacerbado por dinheiro e sua manipulação ao grande público.
qua, 10 de jun de 2009
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