A paz!
A algum tempo um personagem apareceu por esse blog atuando e respondendo a inúmeros posts com comentários extremamente interessantes, contundentes e bíblicamente corretos. Isso já faz algum tempo e a frequência dele nesse blog tem sido por inúmeras vezes maior que a minha própria, nada mais justo que ter um texto dele publicado aqui nesse blog. Aproveitem esse estudo por Marcelo Medeiros:
A respeito da expressão “não julgueis”
Não julgueis para que não sejais julgados. Pois com o critério com que julgardes, sereis julgados e com a medida com que tiverdes medido, vos medirão também (Mt 7. 1, 2 Almeida Revista e Atualizada).
Ao longo do tempo em que venho participando dos debates neste blog; tenho convivido com esta expressão. É muito comum ver alguém, fazendo – ainda que indiretamente – uma citação a esta fala de Cristo; principalmente quando o tema debatido envolve alguma prática de algum “ungido de Deus”. Sim, a maioria das pessoas usam a fala de Cristo para refrear opinião a respeito das outras pessoas. Contudo não é isto que Jesus pretende. Na verdade ele recomenda que se tenha opinião a respeito dos outros. Ele insiste na necessidade de observar e chegar a conclusões a respeito dos outros. E no mesmo texto que recomenda o não julgamento. Adverte que devemos tomar cuidados com falsos profetas, que se aproximam disfarçados de ovelhas, mas que, na verdade, são lobos selvagens (KIVTZ, 2006, p. 51).
Partindo desta observação de Kivtz (2006) e do contexto da fala de Cristo, entendo que é necessária uma séria reflexão a respeito do real sentido do ensino em apreço. Esta, passa por uma conceituação do termo julgar. Afinal de contas o que este significa?
De acordo com o dicionario, julgar é: a) decidir como juiz ou árbitro, b) dar sentença, condenar; c) conjecturar, supor, imaginar; d) formar opinião sobre, avaliar, formar juízo crítico (FERREIRA, 1984, p. 993).
segundo o léxico do Novo Testamento, grego – português, a palavra que Cristo emprega é κρινω (krinoo). A mesma é empregada com os seguintes significados: considerar, pensar, observar.
É neste sentido que Simeão emite sua opinião a um dito parabólico proposto por Cristo (Lc 7. 39 - 43). Perguntado a respeito de um credor que tinha dois devedores, sendo que um devia quinhentas moedas de prata, e outro cinquenta, e sobre qual amaria mais, “Simão respondeu, penso que aquele a quem perdoou a maior divida, jesus lhe disse: julgaste (͂έκρινας) bem” (Lc 7. 43 Tradução Ecumênica Brasileira).
Observe que a consideração feita por Simão sobre o enigma proposto por Cristo, é interpretada por Lucas como sendo um julgamento, e isto é fato. A expressão juízo também pode significar: parecer, conceito, opinião; e Simão deu a dele. Na opinião de Cristo o seu anfitrião havia considerado, observado muito bem ao afirmar que o devedor que tem a maior divida perdoada é mais amado e por isto ama mais o que o perdoou.
Expressar uma opinião acerca de algo
É neste sentido que Cristo exorta os seus ouvintes nas seguintes palavras: “cessai de julgar segundo a aparência, aprendei a julgar segundo o que é justo” (Jo 7. 24 TEB). Note que Cristo não está proibindo o julgamento mas, orientando o seu público a estabelecer os critérios corretos para que possam expressar suas opiniões.
Condenar
Pois Deus enviou seu filho ao mundo não para julgar o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele, quem crê nele não é julgado; quem não crê já está julgado, porque não creu no nome do Filho único de Deus (Jo 3. 17 – 19 TEB). Jesus também emprega esta expressão para afirmar que não julgava a ninguém e que era a sua palavra que julgaria no dia final.
O que podemos aprender desta breve reflexão? Que condenar, sentenciar, punir cabe a Deus. Ele é o juiz (Sl 75. 7). Contudo, expressar opinião, considerar, criticar e inclusive denunciar os erros em nossos arraiais é uma prerrogativa nossa. É com este sentido que Paulo fala: acaso compete a mim julgar os de fora? Não são os de dentro que tendes de julgar? Os de fora, Deus os julgará. Tirai o mau do vosso meio (I Co 5. 12 TEB).
Precisamos orar muito e ler bastante a Bíblia a fim de construirmos os critérios que nos permitirão usar estas prerrogativas de modo legítimo e em conformidade com a Palavra de Deus. Que Deus nos abençoe.
Referências
Bíblia Tradução Ecumênica Brasileira. Ed Loylas.
KIVTZ, Ed René. Outra Espiritualidade. Ed Mundo Cristão. São Paulo, 2006.
Léxico do Novo testamento Grego – português. Ed Vida Nova.
seg, 11 de mai de 2009
2 Comentários