Um papo sobre a fé [1] – a certeza da falta de certeza

ter, jul 7, 2009

Estudos, Reflexões

FéCerta vez um professor de escola dominical perguntou “O que é fé?” De pronto, uma criança (e você pode cá chamá-lo de Joãozinho) respondeu: “Fé é quando você crê de todo o coração em algo que você sabe que não existe!

A cena é fictícia, mas há uma realidade incutida nela. De maneira generalista, perdemos a noção do que é fé. Essa sua crença medíocre em algo que é sobrenatural, menor que um grão de mostarda (Mt 17:20), que acha que vai te salvar não é fé. Desculpe escandalizá-lo; mas fé não é crença, nem crentices.

A fé não é uma loucura sem explicação apesar de não depender de razão como suporte. Complicado? Pois bem, esse é o motivo desse papo.

Cap. 1: A certeza da falta de certeza

É comum vermos no meio evangélico a fé sendo tratada como motivadora para ritos e “baseadas” em passagens bíblicas avulsas. Se você trata esses ritos evangélicos com ceticismo, será considerado um homem sem fé. Mas será mesmo fé que o move rituais de prosperidade e cura? Você tem fé em um Deus superior pelo o que Ele é ou pelo que Ele pode fazer por você?

Existe uma certa falta de certeza sobre até onde vai nossa “fé”. Até onde “vale a pena” acreditar em um Deus consciente? Até onde vale a pena acreditar no misticismo evangélico e seus ritos? Por que não pode haver fundamentos para a fé? Até que ponto consigo suportar em minha vida uma crença infundada? Se tudo for mal na minha vida e nada daquilo que eu creio que possa acontecer aconteça, como crerei em um Deus? Como saberei que a culpa é minha? São muitas as indagações e poucas as certezas no meio cristão.

Paulo nos disse: “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem” (Hb 11:1 ACF). A fé é o firme fundamento, é uma certeza. Portanto Paulo não diz que a fé é uma crença em algo, mas uma certeza; uma profunda certeza naquilo que não se pode provar de maneira racional.

Porém, o fato de não poder provar racionalmente a fé não nos dá margem para começarmos a acreditar em todos os ritos e misticismos que nos proporem nas igrejas. A fé vai além da razão, mas não contra ela. Ainda citando Paulo, em sua carta a Timóteo, diz: “Este mandamento te dou, meu filho Timóteo, que, segundo as profecias que houve acerca de ti, milites por elas boa milícia, conservando a fé, e a boa consciência, a qual alguns, rejeitando, fizeram naufrágio na fé” (Tm 1:18,19). Fica simples entender que é necessário ter fé, mas também boa consciência sobre ela. Portanto, guarde a fé no que Deus é, mas cuidado com o que vai além disso.

Continua no próximo capítulo: “Eu não creio mais em Deus”

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4 Comentários Para Esse Post

  1. diego ventapane disse:

    Mt bom isso, heim?
    Gostei da sua frase “A fé vai além da razão, mas não contra ela”
    Isso merece uma placa.

    Glória a Deus pelo texto!

  2. Sos Gospel disse:

    Faz sentido a afirmação: ” É comum vermos no meio evangélico a fé sendo tratada como motivadora para ritos e “baseadas” em passagens bíblicas avulsas”. Abraços!.

  3. Marcelo Medeiros disse:

    “O coração tem as suas razões que a razão não compreende”

    (Blaise Pascal)

    Sobre a frase: ” É comum vermos no meio evangélico a fé sendo tratada como motivadora para ritos e “baseadas” em passagens bíblicas avulsas” gosto do que Kivtz fala sobre o assunto: A fé ñ é algo que faz com que Deus aja em nosso favor, mas um desafio à ação humana diante da revelação bíblica.

    Abrcs.

  4. Wellington Emidio disse:

    Mas a questão é o que podemos esperar de Deus?
    Creio em um Deus que me ajuda sim, como um pai, como um Rei bondoso.
    Mesmo sendo Soberano ELe cuida de mim.
    Sou contra estes ritos e fórmulas “mágicas” para ser abençoado.
    Mas creio que Jesus fara conforme minha fé e segundo o beneplácito de sua vontade.
    As vezes me parece ” com todo respeito” que em sua forma de crer Jesus se ausentou de nossas vidas.

    abraços

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